A perfect trip to be refused
After a period of pandemic isolation, with constantly changing restrictions, and after spending time longing for the old routine, I received an invitation for a trip that was easy to refuse, yet tempting.
WHY SHOULD I GO:
It was an opportunity to explore a continent that was new to me. The America. That one colonised by Europeans that now has a mix of legacies. Where we find relics of ancient peoples, indigenous traditions, prejudices from less noble eras, and cultural influences from other parts of the world. It’s also filled with social and political conflicts, where some pursue superpower status while others fight to survive extreme poverty. A continent forced to receive what it both wanted and didn’t want from across the Atlantic.
This is how I see the American continent, shaped by its contrasts.
What has always fascinated me is its cultural diversity and what has grown from it. Despite the negative aspects of colonisation, I believe all this cultural blending has resulted in a wealthy continent, particularly in art, fashion, food, and music.
America isn’t afraid to use colour, to mix flavours and sounds. It’s the continent of distances, where nature is as generous in what it offers as it is drastic in what it destroys.
My favourites come from there: colourful Mexican embroidery, Argentine tango, U.S. pop art, Panamanian bananas, Colombian coffee, and even Brazilian music.
WHY SHOULDN’T GO:
For all these reasons, the invitation for this trip was indeed tempting, if not for the fact that it was offered as a ride on an off-road motorbike. Yes, this detail means that I could only have half a suitcase of clothes, a backpack for essentials, a laptop for work, and a very hard seat.
No doubt that it was a trip to refuse. And I did refuse it. So many times I said no. I explained all the reasons I didn’t want to go. But I was not strong enough. So I said yes. Yes to give it a try until I realise it wasn’t for me, or perhaps until I changed my mind and decided to continue.
This would be a crazy journey for some perfectionists, with so different expectations. This was the kind of trip I wouldn’t even dream of taking, but one that real life pushed me toward.
CHANGE OF MIND:
So, I committed to trying, to confront my fears and prejudices. It would be a few days in California and some more in Mexico to get a better sense of the culture outside the luxury resorts.
I packed a dozen pieces of clothing, two pairs of shoes, and a strong will to step out of my comfort zone. It was time to embark on the adventure of travelling and working remotely with only the bare essentials.
For this to happen, I had to renew my passport, pack up the clutter of my normal days, and set off with a backpack on my shoulders and a healthy portion of craziness.
Uma viagem para recusar
Depois de um período de clausura pandémica, restrições em constantes alterações, depois de um tempo a matar saudade do que era rotineiro, surgiu um convite para uma viagem fácil de recusar mas tentadora.
PORQUE SIM:
Uma experiência para conhecer um continente novo para mim. A tal América que foi colonizada pelos europeus e que vive agora com uma miscelânea de heranças. Por lá encontramos relíquias de povos ancestrais, tradições indígenas, preconceitos de épocas menos nobres, influências culturais de outras partes do mundo. Também não faltam guerras sociais e politicas, onde se busca o super poder ou se sobrevive à pobreza extrema. Um continente obrigado a receber o que queria e o que não queria, do outro lado do atlântico..
É assim que vejo o continente Americano, desenhado pelos seus contrastes. Pois o que sempre me chamou a atenção foi a diversidade cultural e o que nasceu dela. Apesar da parte negativa da colonização, penso que toda a mistura cultural deu origem a um continente bastante rico principalmente em arte, moda, comida, e música.
A America não tem medo de usar cor, de misturar sabores e sons. É o continente das distâncias onde a natureza tanto é generosa no que oferece como drástica no que destrói.
Muitas das minhas preferências vêm de lá. Os bordados coloridos Mexicanos, o tango Argentino, a arte pop dos Estados Unidos, a banana do Panamá, o café da Colômbia, ou mesmo a música Brasileira.
PORQUE NÃO:
Por tudo isto, o convite para esta viagem era bem sedutor, não fosse ela oferecida à boleia de uma mota todo-o-terreno. Sim, uma viagem apenas com direito a meia mala de roupa, uma mochila para os essenciais, um computador para trabalhar e um assento bem duro.
Obviamente esta era uma viagem para ser recusar. E recusei. Insisti na minha recusa. Expliquei todas as razões para não querer ir. Recusei até ser convencida a tentar. A pelo menos experimentar até perceber que não é para mim, ou até mudar de ideias e decidir continuar.
Esta seria um viagem de loucos e para uns loucos talvez demasiado perfeccionistas com diferentes expectativas para tal aventura. A tal viagem que nem em sonhos me metia, mas que a realidade e a oportunidade me empurrou para tal.
MUDANÇA DE IDEIAS:
Então comprometi-me a tentar. A confrontar os meus medos e preconceitos. Seriam uns dias na Califórnia e uns quantos no México para conhecer melhor a cultura fora dos resorts de luxo.
Agarrei-me a uma dúzia de peças de roupa, 2 pares de calçado e vontade de sair da zona de conforto, para entrar na aventura de viajar e trabalhar à distância somente com o estritamente essencial.
Para que isso acontecesse foi preciso renovar passaporte, empacotar a tralha dos meus dias normais e sair com uma mochila às costas e uma boa dose de loucura.

